Falávamos no nosso boletim passado dos três porquês da determinada determinação.
S. Teresa teve que determinar-se com toda a determinação e levou anos nesta luta para uma vida de intimidade com Deus, uma vida de oração, mas compreende também esta intimidade na atitude resoluta de viver a conduta de uma vida cristã autêntica.

Ante o chamamento do Senhor a dar-se de todo a Ele, teve que perder os seus medos: medos de perder os amigos, de perder a saúde, medo à morte.

Diz ela: “Até que me determinei em não fazer caso do corpo, nem da saúde, sempre estive atada, sem valer nada…” (Vida 13, 7).

No entanto, apesar da nossa boa vontade e esforço, S. Teresa sabe que a determinada determinação tem um componente de graça como ela própria o confessa: “Ele forçou-me a eu me fazer força” (Vida 3, 4). Ele a ajudou “para forçar-se a si mesma”. Isto foi a chave da vocação e determinação desta santa e que nos pode ajudar para nossa vida de caminhada com Deus.

Quando nos colocamos no Caminho, é preciso a certeza assegurada que Deus não falha. É preciso dar o passo com absoluta segurança.

Ele é fiel à palavra dada e há de fazer beber a todos da fonte. “É grande coisa… ter experimentado como trata Deus aqueles que se determinam” (Caminho de Perfeição 23, 5-6).

Certo é que todos nós somos chamados e hão de chegar a beber da fonte, embora nem todos bebam da mesma forma (uns bebem na fonte, outros nos riachos, outros em charquinhos de água); mas há que empreender, sem medo, o caminho da determinada determinação que leva a ela esta fonte que é o próprio Deus e Senhor.

Temos o exemplo de S. Teresinha que, mesmo sem ter bebido com abundância, foi verdadeiramente inundada pela luz do Espírito Santo.

Santa madre Teresa nos ajuda neste caminho de busca de Deus e de uma vida cristã atenta ao Evangelho e um viver cristão de forma a sermos de Deus no mundo sem ser do mundo, ela diz: “Não consintamos, irmãs, que a nossa vontade seja escrava de alguém, mas só d’Aquele que a comprou com o Seu sangue” Sta. Teresa (Vida 4, 8).

Sta. Teresa chama «desapego de toda a criatura», o viver em gratuidade e liberdade por não se estar atado a nada nem a ninguém: pois o apego a coisas, a pessoas ou a si mesmo não permitem qualquer atitude de abandono, e sem o abandono total a oração fica-se por lindas palavras.

Todo o trato com Deus conduz a isto: amar a Deus e temer ao mesmo tempo a nossa fragilidade. Amá-Lo e temer perdê-Lo.

Tal como o amor, que na proximidade com Deus, nasce e cresce até chegar a ser um “fogo grande”, assim o temor brota espontaneamente logo a partir dos primeiros passos do caminho de oração.

Quanto maior o avanço na oração, mais se torna manifesto o temor: “É coisa também muito conhecida daquele que o tem, e dos que tratam com Ele”. “Quando a alma já chegou à contemplação – e é do que agora aqui mais tratamos –, o temor de Deus também anda muito a descoberto, tal como o amor; não vai dissimulado, nem mesmo no exterior” (Caminho Perfeição 41, 1). Quanto maior amor, maior temor.

Quem ama realmente teme, mas não o castigo. O que teme é ofender o Senhor que tanto ama. E distanciar-se Dele.

Pe Emílio Carlos Mancini.

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