Quem é este Deus para nos amar tanto assim!

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Deus nos escolheu para estarmos aqui. Deu-nos a oportunidade de viver, só por amor. Somos o sonho de Deus que deu certo, como todo sonho do Criador. Não somos um acidente ou um erro de percurso, Ele quis que existíssemos no seu plano de amor. Ele não precisa de nós, mas quer contar conosco na construção do seu Reino.

A construção do Reino de Deus, à qual somos chamados, vai, pois, muito além da preocupação com a atitude das pessoas. Tem uma dimensão estrutural, porque a justiça, a paz, a verdade, prometidas pelo Reino, são conceitos sociais; referem-se também às relações dos homens entre si e com o mundo; referem-se às estruturas abaixo do nível fenomenológico. Sem esta dimensão, a fé da pessoa permanece mera abstração. A verdadeira fé desestabiliza estruturas e questiona instituições. Questiona o que existe, e o submete a julgamento. Os critérios desse julgamento, porém, são os valores do Reino de Deus. E a fé, luz desses critérios, supera o atual e procura fazer o presente corresponder sempre mais ao futuro prometido.

Assim sendo, com o Batismo recebemos a sua marca, a Marca do Eterno, nos tornamos os seus filhos discípulos/missionários e nossa tarefa consiste em apresentá-Lo ao mundo cada vez mais, como nossas atitudes, gestos, palavras, onde estivermos e aonde formos deixar exalar o perfume do Amado. Isto cabe-nos uma pergunta, então: Como proporcionar a todos, condições de viver em suas vidas o Cristo ressuscitado e Seu amor incondicional por nós?

Aqui nos deparamos no campo da fé, e a fé é um ato pessoal, mas que liga a uma comunidade, a Igreja, pois é ela é o primeiro sujeito da fé que nos proporciona viver, aprofundar e celebrar na liturgia o amor a Deus que gradativamente nela vamos conhecendo. É a Igreja que crê antes de tudo e que, desta forma, alimenta e sustenta a nossa fé, inserindo-nos pelo Batismo no seio da comunidade eclesial.

É no caminho comunitário que vamos enxertando nossa vida em Jesus, que deixa bem claro, que Ele é “Caminho, Verdade e Vida”. Mas quem é Jesus Cristo? Por que escolhê-Lo? Se Ele não é a única proposta de Religião, pois todas as religiões têm como lição básica a oração, a caridade, o jejum, a paz, a justiça, o amor e paz. Então, porque decidir-se justamente por Jesus e não outro?

Por uma questão muito simples: “Jesus Cristo é o Filho de Deus. É a manifestação de Deus em forma humana (Ef 2,7). Humaniza-se para humanizar a nossa vida, ou seja, é o homem na plenitude de sua condição divina, para tornar o ser humano ainda melhor. É a imagem do Deus invisível, é o filho de Deus, é o próprio Deus (Cl 1,15).

Somente Deus, em Jesus, é capaz de entrar em um mundo tornado consciente de sua miséria e de sua necessidade de salvação. Assumir os conflitos estruturais de sua época: o poder religioso, econômico e político. Assumir uma natureza histórica e situada no tempo e no espaço, num contexto sócio-político com uma determinada situação de pecado real.

Frente esta grande atitude, tudo que vier não toca e nem transforma o coração humano, porque não se perpetua na graça que nos salva e nos proporciona a salvação. Não seguimos Jesus, por aquilo que Ele pode nos dá, mas nos decidimos por tudo aquilo que Ele é, Deus. E isto nos basta. Por quê? Porque a imagem de Deus que Jesus nos propõe é original, é única, é verdadeira. É a iniciativa plena da salvação do Pai que nos amou por primeiro.

Portanto, Jesus Cristo é a Palavra que já existia desde o princípio. Por meio desta Palavra todas as coisas foram feitas e nada foi feito sem Ela (cf. Jo 1, 1-13). Jesus Cristo é a verdade eterna que se manifestou na plenitude dos tempos. E, precisamente, para transmitir a Boa Nova a todos os povos, fundou a sua Igreja (cf. Lumen Gentium, n. 8), com a missão específica de evangelizar: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16, 15). Assim, desde o dia em que os Apóstolos receberam o Espírito Santo, foi o que fizeram, em todos os tempos e em todas as latitudes do mundo. Hoje anunciamos o seu Reino, que começa aqui, mas que não é deste mundo. Reino que terá a sua instauração definitiva somente quando, no fim dos tempos, novamente nos reunirmos ao nosso Senhor Jesus Cristo, nossa esperança e nosso fim.

Agora eu lhe pergunto: Dá para ficar fora desta proposta de amor?

Um excelente segundo semestre a todos nós.

 

Deus lhe abençoe sempre,

Padre Marcelo Jolli

 

 

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