Não tenho dúvida que quando assumimos nossa vocação, cada obstáculo valeu a pena.

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Estamos começando um dos meses mais belos do ano: agosto – um tempo vocacional. Ao longo destes trinta e um dias somos convidados a refletir sobre nossa vocação plena.

O que é esta vocação? Alguns são chamados a viver o matrimônio e constituir uma família, outros a serem padres, freiras, irmãos ou solteiros missionários, outros ainda a assumirem sua vida atuante na Igreja, mas vivendo solteiro.

Deus não interfere em nossa vocação, mas nos impulsiona à maior forma de felicidade, porque em sua forma de amar nos liberta. Só quem ama que é capaz de compreender nossas fraquezas, nossa personalidade.

Assim sendo, a cada final de semana iremos refletir sobre estas vocações e suas exigências, olhando para a pessoa do padre, do pai, dos religiosos, leigos e sua atuação na Igreja e no mundo.

Deus nos fez para a felicidade, não compliquemos nossa vida com pesados fardos, muitas vezes, frutos de nossas escolhas. Jesus em suas atitudes e palavras nos deu a direção. Agora, infelizmente, muita gente perde o “trem da história” porque não dá conta de fazer as escolhas fundamentais, como Abraão, Maria… Daí deriva muita frustração, amargura, desilusão. Tudo isso mostra a urgência de cuidarmos da dimensão vocacional da vida das pessoas, sobretudo das mais jovens.

Cada vocação determina uma vida toda, transforma o ser humano e, não destrói a sua identidade, sua personalidade, mas imprime caráter em Cristo e com Cristo. Então, vamos sem medo, pedir a Jesus e confiar em Maria nossa mãe, aproveitando que o dia 15 é dedicado a ela, na confiança de que nossos “nós” sejam desatados na medida de em que confiarmos nossa vida a Cristo.

É o que eu tenho feito todos os dias da minha vida, desde o dia 05 de agosto de 2005, quando Cristo imprimiu em mim a vida sacerdotal. Assumindo minha fraqueza, Ele deu a mim a confiança de apascentar este rebanho (hoje comunidade de Santa Cruz), que tanto amo e desejo que caminhe ao encontro temporal e eterno do Pai, sem medo de ser feliz.

As vocações do Padre e do Pai caminham juntas. A responsabilidade e o amor são essenciais, porque sempre queremos o melhor para filhos, fazemos o possível e o impossível para que eles sejam gente, cristãos e saibam amar sem pedir nada em troca e, isso muitas vezes doe muito, mas devemos ser sempre fortes, porque Cristo já havia dito que não seria fácil e sim recompensador.

Valorize sempre o seu pai, por ter feito a escolha certa: decidir trazer você ao mundo mesmo não sabendo quem você era, e desde o primeiro momento te amou com uma intensidade que eterniza até hoje. Seja como for, ame-o pelo simples fato de ter decidido por você.

Quanto ao seu pároco, não o faça diferente ame-o e respeite-o sempre, pode ter certeza que em sua fraqueza ele busca fazer o melhor para cada um, mostrando o caminho, mesmo que ardo, mas transformador até Jesus.

Como diz nosso Papa Francisco: “Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno”.

O Papa reconhece que para seguir neste caminho muitas vezes é preciso ir contra a corrente, enfrentando obstáculos, dificuldades que poderiam criar desânimo. Mas ele enfatiza que a verdadeira alegria dos chamados está em crer e experimentar que Deus é fiel. “Com Ele, podemos caminhar, ser discípulos e testemunhas do amor de Deus, abrir o coração a grandes ideais, a coisas grandes”.

Não tenho dúvida que quando assumimos nossa vocação, cada obstáculo valeu à pena. Por que Deus sempre esteve lá nos erguendo a felicidade plena. Agora, não basta apenas desejarmos, precisamos de muita oração e trabalhar para que o Reino de Deus cresça ainda mais em nossa comunidade: “Ide, também vós, trabalhar para a minha vinha” (Mt 20, 7b).  

 

Em seu infinito amor, Deus é sempre fiel.

Um forte abraço

Padre Marcelo Ap. Jolli

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