“Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15).

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Cristo ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!

Jesus Cristo é a Palavra que já existia desde o princípio. Por meio desta Palavra todas as coisas foram feitas e nada foi feito sem Ela (cf. Jo 1, 1-13). Jesus Cristo é a verdade eterna que se manifestou na plenitude dos tempos. E, precisamente, para transmitir a Boa Nova a todos os povos, fundou a sua Igreja (cf. Lumen Gentium, n. 8), com a missão específica de evangelizar: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16, 15). Assim, desde o dia em que os Apóstolos receberam o Espírito Santo, foi o que fizeram, em todos os tempos e em todas as latitudes do mundo. Hoje anunciamos o seu Reino, que começa aqui, mas que não é deste mundo. Reino que terá a sua instauração definitiva somente quando, no fim dos tempos, novamente nos reunirmos ao nosso Senhor Jesus Cristo, nossa esperança e nosso fim.

Não existe via de acesso a esse Reino de Deus, que não passe pelo dom da própria vida em favor da libertação dos pobres, pois fazer que as estruturas sociais se humanizem e se coloquem a serviço do ser humano, em lugar de oprimí-lo, é permitir surgir e crescer, no seio da história, este Reino que Deus plantou na humanidade.

Milhões de pessoas no mundo todo protestaram e continuam protestando contra a guerra e pedindo paz. Entre elas encontram-se muitos jovens, cheios de idealismo, acreditando na força da paz. A maioria dos países membros das Nações Unidas tentou frear a guerra, insistindo numa solução diplomática. De todas as partes soou bem alto este grito: “Queremos paz! Basta de guerras!”. Esse é um grito profético porque, como fizeram os grandes profetas de Israel, desmascara os poderosos, que pensam que são os donos do mundo e buscam os seus próprios interesses a qualquer custo, mesmo que seja matando pessoas e semeando o medo e a insegurança.

No Brasil, várias vezes o povo já levantou sua voz a favor de grandes causas e pelas mudanças necessárias na sociedade brasileira: as “Diretas Já”, o “impeachement” de Collor, o “Grito dos Excluídos”, as “Marchas” dos Sem-terra, da População de Rua, os Fóruns Sociais Mundiais, as “Campanhas” contra a Fome, da Fraternidade, contra a Alca etc. Essas manifestações são a força que o povo tem, quando as autoridades abusam do poder, procuram seus próprios interesses e esquecem os direitos do povo.

Ser profeta é mesmo sempre difícil, dá medo, porque a resistência é certa e a perseguição também. Mas há momentos em que a palavra deve ser dita com toda a clareza, mesmo que isso custe a própria vida. Muitos profetas pagaram com a morte por suas palavras: os profetas do povo de Israel, o próprio Jesus e os profetas de hoje, que levantam a voz para denunciar todo tipo de injustiça e violação dos direitos humanos, de discriminação e abuso de poder, de corrupção e falsidade.

A Igreja está inserida na sociedade, vivencia suas injustiças, porém, por ser um povo profético, sua missão é denunciar e anunciar, levantar a voz a favor dos fracos, dos pobres, dos marginalizados. Não é somente o Papa, bispo ou algum padre que deve protestar. Todo o povo cristão deve mostrar que o direito e a justiça precisam ser restaurados, para construirmos juntos o Reino de Deus assumido por Jesus.

Devemos, então, meus queridos filhos, estar atentos aos verdadeiros sinais do anti-reino, para que eles não destruam a realidade libertadora do Reino de Deus, para que esses sinais não sejam tidos como verdadeiros sinais do amor de Deus. Como Igreja, nosso trabalho é colocar no mundo a presença do Ressuscitado, aquele que vence o mal e a morte, e, através de nossas pastorais, lutarmos pela implantação do Reino, protagonizado pelo Cordeiro, que é Jesus, e combatido pelos sistemas políticos e econômicos contrários ao Evangelho.

O Evangelizar depende de cada um de nós: Na diversidade de dons e carismas formarmos um só corpo.

 

 

Com carinho e compromisso,

Padre Marcelo Ap. Jolli.

 

 

 

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