História

25 anos Jubileu de Prata da Paróquia de Santa Cruz
03 de maio de 1986 03 de maio de 2011

Agradeço ao Pe. Marcelo por ter me convidado a escrever algumas linhas sobre a Igreja de Santa Cruz, para a abertura do Ano Jubilar da Paróquia de Santa Cruz.

Por 23 anos estive à frente, como Pároco, pastor, da Paróquia de Santa Cruz. Quando em 08 de fevereiro de 1986 foi me confiada a missão de preparar a comunidade para ser Paróquia, a comunidade contava somente com o salão da Comunidade da Vila Santa Cruz que, por 14 anos, foi a Igreja Matriz da Paróquia de Santa Cruz. Três meses após a leitura do Decreto de Paróquia em Formação, foi lido o Decreto da criação da Paróquia de Santa Cruz, para um grande número de fiéis.

Sobre a Igreja de Santa Cruz, a sua construção se deu pelo fato de a própria comunidade desejar uma Igreja, um espaço onde se pudesse celebrar os sacramentos: nasce assim o desejo de construir a Igreja de Santa Cruz em 1987. A história da Igreja de Santa Cruz é muito bonita e cheia de sucessos por causa das lutas e dificuldades vencidas. Para muitos, tida como “elefante branco”, está aí: um magnífico Templo, uma obra de engenharia arrojada, onde muitos e muitos cristãos puderam, podem e poderão beber e saciar se de Deus.

Só quem viveu pode dizer!

A construção da Igreja de Santa Cruz foi gestada no meu ventre com a confiança e a participação dos paroquianos. Ela tem um dos maiores vãos de concreto armado do interior do Estado de São Paulo, com uma nave de 50 x 27 metros sem pilares.

Vista de cima, a Igreja lembra uma hóstia dentro de um cálice. Os três arcos, um na frente e dois nas laterais, simbolizam os dedos de Deus tocando o chão. Do ponto central do presbitério, a distância é a mesma em qualquer lugar na nave.

Uma Igreja que foi construída com visão de futuro.

Quantas não foram as assembléias, os encontros paroquiais, regionais, diocesanos nela realizados. Uma das Igrejas mais práticas e funcionais que há na Diocese e região. Uma obra de grande importância e beleza para a cidade de Matão e para a Diocese, que acredito ser orgulho para os paroquianos.

Vai ser oficializado o Ano Jubilar da Paróquia de Santa Cruz!

Celebrar o Jubileu é trazer a história presente, é relembrar a história, os acontecimentos. Toda história tem que suscitar, nos paroquianos, uma grande alegria e um sentimento de gratidão ao Deus Uno e Trino porque acredito que foi desejo de Deus. Assim, acredito que todo o sentido deste Jubileu parte de tudo o que foi acontecido, vivido.

Celebrar o Jubileu da Paróquia de Santa Cruz não é apenas rejubilar se com o que aconteceu, com a história desses 25 anos, mas abrir se para uma realidade nova, para se firmar nesta caminhada de identidade com Jesus Cristo, caminho, verdade e vida.

Celebrar o Jubileu da Paróquia é ter os olhos fixos em Jesus, com atenção e expectativa, para ver a realização de suas promessas de salvação e felicidade.

Acredito que este é um grande momento da comunidade, com seu Pastor, de rever sua história de salvação e aderir totalmente à pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É um momento único, é o tempo favorável de celebrar, rever e continuar o anúncio do Reino de Deus.

Parabéns Paróquia de Santa Cruz!
Parabéns Pe. Marcelo!
Parabéns paroquianos e povo de Deus de Matão!

Celebro e me alegro com todos pela história da Paróquia de Santa Cruz. Louvo e agradeço a Deus por ter me confiado e gerado a Igreja Mãe da Paróquia.

Tudo o que fiz, não foi por mim, mas para uma maior glória de Deus. Nos 23 anos como Pastor da Comunidade Paroquial, cristãos estiveram comigo: alguns que já partiram e a maioria ainda vive e pode testemunhar todo nosso trabalho.

Que a Cruz bendita e gloriosa de Jesus Cristo leve todos a contemplar a glória de Deus Pai.
A história continua…

Pe. José Luiz Ferrari

A Vila Santa Cruz era “a boca do mattão”, como se dizia nos finais do século passado. Quem vinha de Araraquara, depois de deixar Silvânia, e ter passado por algumas famosas fazendas, como Santa Maria, Matãozinho, Santa Leonor, chegava ao Retiro e Las Palmas, e, é justamente no Bairro do Retiro, que se iniciava propriamente, a vila Santa Cruz, que, no tempo mais remoto, era conhecida como Vila Raposa, por causa da família de Benedito de Paula, ou Benedito Raposo, um dos mais antigos moradores do local. Com essa localização, a Vila Santa Cruz passava a ser a grande “recepcionista” dos fazendeiros que chegavam a Matão.

Naquela época em torno de 1896, Matão era mais ou menos uma pequena vila, e tinha um morador ilustre, chamado, Pedro Bernava. Pedro teve sua casa de negócio, casa de pensão, trabalhou como colono e mais tarde passou a ser camarada na fazenda do Dr. Gonzaga nas proximidades da vila de Matão. Depois de alguns anos Dr. Gonzaga vendeu a fazenda e foi com a fámilia para São Paulo, quis levar consigo Pedro Bernava, mas este não aceitou o convite. Em sinal de reconhecimento pelos seus serviços e comportamento, o Dr Gonzaga fez um donativo em dinheiro à Pedro.

Este, passou a prestar serviços diversos e outros serviços de pequena monta. Com o dinheiro recebido, Pedro adquiriu um terreno na Vila Santa Cruz e começou então a construir uma capela. Tudo quanto ganhava empregava na construção da referida capela.

“Dizem que seu destino foi um legado de Deus. Alma boa e simples, coração boníssimo, pessoa conhecidíssima em todo o Município”.

A principal característica dessa interessante figura foi a sua devoção de eregir uma capela na Vila Santa Cruz. Diariamente saía a percorrer todas as fazendas, sítios, pequenos proprietários pedindo tijolos a uns, madeiras a outros, alem de ovos e frangos que depois vendia para apurar dinheiro em benefício da capela.

Organizava com pessoas religiosas e também com famílias caridosas residentes na referida vila, quase todos os anos, a Festa de Santa Cruz. Nos dias de festas organizava uma bela procissão, com andores, que bem enfeitados, atraim todo o povo da vila, conseguindo a procissão um grande acompanhamento. Terminada a festa, Pedro corria atrás dos festeiros para o ajuste de contas, para saber se tinha sobrado alguma coisa em dinheiro para tocar adiante a sua querida capela.

E Pedro fazia voluntariamente tudo. Depois de muita luta e contando sempre com a ajuda de muitas pessoas caridosas que doavam tijolos e madeiras e já muito velhinho e cansado, viu com grande alegria e satisfação realizado o seu grande desejo de terminar a sua capela. Pedro não parou por ai, continuou a pedir, para que fosse feito na frente da capela um muro com grade e jardim, também ficou sendo com todo o desvelo o zelador de tudo aquilo sem qualquer ônus a capela.

O tempo, no entanto passou e levou tudo embora.

Agora, a vida é outra.

A velha igrejinha construída pela devoção de Pedro Bernava à Santa Cruz e com a doação de muita gente daquela época, durante muito tempo simbolizou a evocação mais sublime da singeleza que habitou por ali. Mas, Matão, como todo São Paulo era uma cidade que não podia parar, e assim a velha Capela teria de ser demolida para ceder espaço ao progresso e a modernidade. Para isto, um grupo de abnegadas pessoas juntamente com a comunidade foi alicerçando suas atividades religiosas para a construção de um grande salão paroquial.

A comunidade local, antes, se reunia num barração cercado de tábuas. Ali eram executadas todas as cerimônias religiosas, realizadas pelo Pe. Amador Romão.Após mais uma festa em louvor a Santa Cruz, feita naquela barraca cercada de tabúas que esse grupo de pessoas decidiu utilizar toda a arrecadação da festa para aquisição dos tijolos que seriam utilizados para o ínicio da tão sonhada construção do salão, ja que o terreno havia sido permutado com a prefeitura.

Assim, depois de muito trabalho no dia 24 de abril de 1.982, sábado, à noite, inaugura se e é dada a bênção ao salão comunitário da Vila Santa Cruz e Vila Buscardi, na Rua Sinharinha Frota. No dia 8 de fevereiro de 1.986, às 16h30m, com a presensa do Mons. Luiz Cechinato, Vigario geral da Diocese, durante a celebração da Santa missa, foi lido o decreto de formação da Paróquia de Santa Cruz, Diocese de São Carlos, de acordo com o canon 516 do Código de Direito Canônico.

No dia 3 de maio de 1.986, as 18h30, Dom Constantino Amstalden Bispo de São Carlos, promulgou o decreto de criação da Paróquia de Santa Cruz e nomeando canonicamente seu primeiro Vigário o Revrmo. Pe. José Luiz Ferrari, vindo da Paróquia de São João Batista de Bocaina, dando conhecimento aos paroquianos este decreto e dando lhe os limites e as primeiras normas a serem seguidas. Registrando aqui que no dia 1º de fevereiro do mesmo ano o Pe. José Luiz Ferrari ja havia tomado posse da então futura paróquia para poder acompanhar a construção da nova casa paroquial, conhecer as comunidades, etc, etc…

E a Vila Santa Cruz deixou de ter a sua capelinha, para transfor mar se na Paróquia de Santa Cruz, projetando, na construção da sua nova Matriz, um memorial em busca de novas realizações.

Marcelino Mancini (Membro da PASCOM)
Bibliografia utilizada: LEITE, Azor Silveira.
Uma História para Matão. V.3. Matão: 1995